Para comemorar 22 anos, IGP-RS revela laudos inéditos de crime passional da década de 1940

O Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP-RS) completa 22 anos de existência. Para marcar a celebração, a instituição organizou uma mostra que recorda a trajetória e o trabalho da perícia no Estado. O evento ocorreu nesta segunda-feira (30/9), no Salão Negrinho do Pastoreio, no Palácio Piratini, com a presença do governador Eduardo Leite, do vice-governador e secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, e da diretora do IGP, Heloísa Helena Kuser.

Como alusão ao aniversário de 22 anos do IGP, a mostra resgata laudos, até então inéditos, de um crime que mobilizou a sociedade porto-alegrense da década de 1940. Os diretores de departamentos envolvidos na análise dos documentos foram convidados a falar durante a solenidade.

Para a diretora Heloísa, certos crimes dão origem a lendas que ganham tanta força que, por vezes, nem mesmo a perícia é capaz de desmitificá-los. “Não precisamos nos insurgir contra isso, pelo contrário, podemos conviver harmoniosamente”, ponderou.

A diretora da instituição também relembrou outros casos célebres nos quais o IGP teve papel determinante, como os crimes da Rua do Arvoredo e o incêndio da Lojas Renner, ambos no Centro de Porto Alegre. “A perícia envolve pesquisa, tecnologia e ciência, e é praticada no Rio Grande do Sul desde o século 18”, destacou.

PORTO ALEGRE, RS, BRASIL, 30/09/2019 - Solenidade pelo aniversário do Instituto-Geral de Perícias (IGP). Fotos: Gustavo Mansur/ Palácio Piratini
Governador Leite parabenizou o trabalho do IGP: mesmo que não sejam vistos, peritos têm papel fundamental na segurança – Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini

O governador parabenizou o trabalho do IGP, ressaltando que, mesmo que não sejam vistos e que trabalhem, por vezes, silenciosamente, sem chamar atenção, os peritos são de fundamental importância para a resolução de crimes e para a tomada de decisões em investigações criminais. “Desde aquela época, a obstinação e a dedicação desses profissionais ajudavam a obter a profundidade de dados técnicos capazes de auxiliar na tomada de decisões sobre como proceder em um processo criminal. Vida longa ao IGP”, disse Leite.

Também presente, o vice-governador e secretário da Segurança Pública, delegado Ranolfo Vieira Júnior, reconheceu como de extrema utilidade a aula de criminalística dada pelos peritos envolvidos na análise dos laudos recém encontrados. “Os peritos esmiuçaram este caso que está presente no imaginário da sociedade gaúcha e trouxeram uma aula de maneira exemplificativa do trabalho que a perícia faz no dia a dia”, detalhou.

O fato

Na madrugada de 17 para 18 de agosto de 1940, a adolescente Maria Luiza Häussler, 16 anos, deixou o baile na tradicional Sociedade Germânia acompanhada do namorado, Heinz Werner Schmeling, 19 anos. O romance não era aceito pela família da jovem.

Até hoje, não se sabe bem o que aconteceu entre o casal. Sabe-se, porém, que, horas mais tarde, o rapaz foi encontrado em um bar, no bairro Belém Velho, ferido por um tiro. Maria Luíza foi encontrada na madrugada do dia 20, já sem vida, na Lagoa dos Barros, entre Osório e Santo Antônio da Patrulha.

Schmeling acabou sendo condenado, em 1942, pelo assassinato. O homem faleceu em 1971, em São Paulo. Na época do crime, Heinz assumiu que, de fato, levou o corpo da namorada até a lagoa, mas negou ter sido o autor do assassinato. O homem sustenta uma versão na qual Maria Luiza havia tentado matá-lo e, depois, cometera suicídio.

Os laudos ficaram ocultos por mais de 80 anos, em meio a outros documentos, em um depósito, e foram encontrados recentemente. Pelo relato dos peritos da época, não foi possível descartar a hipótese de que Maria Luiza tenha se suicidado, versão defendida por Schmeling.

A Lagoa dos Barros, inclusive, se tornou palco para lendas e para superstições. Há quem diga que o espírito de Maria Luiza ainda pode ser visto por lá, circulando pelo local em um vestido branco, tornando-a conhecida como Noiva da Lagoa dos Barros.

O IGP

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