Escola de soldados da BM inaugura Laboratório de Decisão de Tiro e Ações Táticas

A Escola de Formação e Especialização de Soldados da Brigada Militar de Porto Alegre (EsFES- POA) inaugurou, no último dia 21, um novo ambiente de treinamento: o Laboratório de Decisão de Tiro e Ações Táticas.

O ambiente busca potencializar a formação dos novos policiais militares, em especial quanto ao uso da força e da arma de fogo e está situado dentro das próprias dependências da escola, no bairro Partenon, em Porto Alegre, a área fica dentro de uma casa funcional da BM antigamente utilizada para a moradia de militares.

Desde o dia 25 até 29 de outubro, as instalações serão oficialmente testadas, em oficinas técnicas ministradas voluntariamente por instrutores de tiro da instituição. Todos os cerca de 200 alunos em formação na EsFES terão treinos no ambiente.

O projeto começou a ser elaborado ainda em 2020, quando outra turma do Curso Básico de Formação Policial Militar arrecadou fundos por meio de uma “Ação entre Amigos” e realizou a doação de equipamento de airsoft para a Escola, a primeira da polícia militar gaúcha a operar com tal ferramenta na formação.

Destaca-se que a utilização de airsoft é sugerida no programa da disciplina de Uso da Força e da Arma de Fogo IV – Decisão de Tiro II, componente do currículo no curso de formação de soldados, para a realização de simulações dirigidas básicas e de tiro real.

Embora possuísse o material, ainda faltava um local destinado especificamente ao treinamento e que permitisse uma maior “realidade” às situações hipotéticas que os novos policiais poderão encontrar no enfrentamento à violência. Assim, em reuniões técnicas do efetivo de policiais da escola, a iniciativa começou a ganhar forma.

O local de treinamento constitui-se em um imóvel cenográfico, onde a interação com os alunos ocorre por meio de “sensores de movimento” instalados em pontos chave da casa, escondidos, quando possível, pela cenografia. Assim, à medida que o aluno entra na casa e vai progredindo de cômodo em cômodo, ele vai acionando os sensores e os alvos, atiráveis e não atiráveis, surgem à sua frente lhe impondo uma “decisão”.

O Laboratório foi construído totalmente por alunos-soldados formandos do CBFPM 2021 da EsFES/PoA que, antes de se formarem agentes, eram serralheiros, eletricistas, programadores, obreiros, desenhistas, entre tantas outras capacidades, e que usaram seus conhecimentos para conceber um ambiente de treinamento não deles, mas da Instituição.

O material utilizado para a construção do espaço é oriundo de diversas fontes. Os móveis foram doados pela entidade Mensageiro da Caridade; os tambores de óleo, pela Companhia Carris; telas camufladas doadas pela Brum Brasil artigos militares; bobinas de madeira doadas pela CEEE.

Após o incidente que ocorreu no ginásio da antiga Escola de Educação Física da Brigada Militar, na rua Felipe Oliveira, muitos materiais de obras, demolição, metais, foram trazidos para a EsFES para reaproveitamento. Parte da estrutura do antigo pergolado da entrada da antiga EsEF se transformou na arquibancada do laboratório, com espaço para os alunos receberem a instrução prévia; placas metálicas foram recortadas e transformadas em alvos; holofotes de LED “em curto” foram transformadas em lâmpadas “strobo” (com luz intermitente); restos de ferro foram retorcidos e transformados em silhuetas humanas.

Segundo o comandante da EsFES/POA, major Endrigo Silveira, esse é o primeiro passo para avançar-se no treinamento policial na área de decisão de tiro: “O próprio nome ‘laboratório’ atribuído ao local demonstra o caráter científico do projeto”. O oficial destacou, também, que há uma série de outras possibilidades de treinamentos policiais que podem derivar daquele ambiente, como uma simples abordagem a uma residência, ocorrências envolvendo pessoas em surto, casos de violência doméstica, sequestro e cárcere privado, entre tantos outros. “É um ambiente multitreinamento”, finalizou.

O instrutor de tiro, capitão Carlos Zuany Fontoura, reforçou a qualidade e ineditismo da iniciativa, destacando que os fatores externos simulados naquele ambiente, tais como iluminação, sons, fumaça, alvos atiráveis e não atiráveis, dentre outros elementos, semelhantes ao ambiente encontrado nas ruas, levam o brigadiano a um nível de estresse emocional um pouco mais próximo ao que ele atinge na ação policial, elevando a instrução a outro patamar. “A estrutura criada na EsFES Porto Alegre, com a riqueza de elementos em interação, é pioneira no RS, e com certeza qualificará a formação dos policiais que puderem usufruir dessa experiência”, completou o oficial.

Texto: Sgt Sabrina Ribas/BM

Edição: ASCOM/SSP

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